Se eu fosse apontar o que frustrou a minha primeira paixão, talvez atribuísse a culpa a um par de galochas. Pertencia ao meu irmão e num domingo de chuva bíblica eu o tomei emprestado e fui postar-me diante da casa da menina do meus sonhos (não se usava o termo garota, na época). Depois de meia hora de impiedoso encharcamento, sem que se abrisse uma janela, fui embora. As galochas coaxavam como dois sapos. Se eu dei origem à expressão chato de galochas? Não acredito, mas bem que merecia, como vim a demonstrar amplamente ao longo de toda a minha vida.
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