"Para Padilla, recordava Amalfitano, existia literatura heterossexual, homossexual e bissexual. Os romances, em geral, eram heterossexuais. Já a poesia era absolutamente homossexual. Dentro do imenso oceano desta distinguia várias correntes: bichonas, bichas, bicharocas, bichas-loucas, bonecas, borboletas, ninfos e bâmbis. As duas correntes maiores, no entanto, eram a das bichonas e a das bichas. Walt Whitman era um poeta bichona. Pablo Neruda, um poeta bicha. William Blake era bichona, sem sombra de dúvida, e Octavio Paz, bicha. Borges era bâmbi, quer dizer, de repente podia ser bichona e de repente simplesmente assexuado. Rubén Darío era uma bicha-louca, na verdade a rainha e o paradigma das bichas-loucas (em nossa língua, claro; no vasto e forâneo mundo o paradigma continua sendo Verlaine, o Generoso)."
(Tradução de Eduardo Brandão, publicado pela Companhia das Letras.)
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