sexta-feira, 12 de julho de 2013

Que o amor...

... saia desembestado agora à noite e desperte comichões em viúvas, pruridos em noviças, inquietações em homens respeitáveis e em mulheres de bem. Que no ar se espalhe uma mornidão salgada, um derretimento dos sentidos, uma vontade de beijar e ser beijado. Que se redescubram algumas esquecidas utilidades das mãos e que coxas e seios agradeçam por essa bênção, na última fileira do cinema, onde talvez persista uma fragrância dos dropes de anis chupados pela Rita Lee. Que lábios se ralem e se esfolem, porque hoje, como dizia o Poetinha, é sábado. Que velhotes revigorados tentem no hospital estender o braço livre do soro para resvalar em alguma coisa, ainda que seja só o avental da enfermeira. Que os motéis sejam sacudidos por uma febre amorosa que faça cair as letras dos seus luminosos. Que haja luxúria, que haja fogo, que haja "ménages à trois" a três por quatro e que, enquanto isso, os defensores da moral e dos bons costumes durmam o apaziguado sono de quem contou três dezenas de ovelhas. Eros, é tua esta noite. Que as camas se estraçalhem como barcaças sacudidas pelo vento marinho.

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