quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Soneto do amor tresloucado

Amei uma mulher tão perdidamente
Com todo o meu amor, minha energia,
Que tudo que era meu lhe oferecia:
Meu coração, minha alma e minha mente.

Amei-a tão constante, noite e dia,
Amei-a muito, desvairadamente,
Como só o demente mais demente
Amar uma mulher conseguiria.

Amei-a tanto, tanto, que a ternura
Se transformou em mim numa loucura,
No meu mais doce e mais amargo vício.

Amei com tanto ardor essa mulher
E hoje nem sei onde ela está, sequer.
Quanto a mim, eu definho aqui, no hospício.

2 comentários:

  1. Raul, recordei-me:

    "De Vieytes nos aplauden: "¡Viva! ¡Viva!",
    los locos que inventaron el Amor,
    y un ángel y un soldado y una niña
    nos dan un valsecito bailador."
    (Balada para un loco - Astor Piazzolla)

    Qual mulher não gostaria de ser o sujeito simples desta oração?

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    1. Ivna, os loucos que inventaram o Amor alimentavam-se de pétalas de rosa orvalhadas. De nada mais. Eram rosas especiais, rosas de loucos, que, em conluio com a brisa, cantavam para eles canções compostas por anjos também loucos. Morreram as rosas, morreram os loucos, e do Amor não se tem mais notícia. Nem dos anjos, talvez encarcerados, por rebeldia, nas nuvens mais escuras.

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