domingo, 14 de abril de 2013
Talvez...
... hoje tenham poupado nossos rapazes, talvez hoje tenham deixado intatas nossas meninas. Milagres acontecem, é o que se diz, e por que não num domingo, em que a vida, quase como obrigação, costuma ser menos cruel? Talvez todos os rapazes já estejam em casa com seus celulares e liguem para as garotas que, surpreendentemente, estarão todas também em casa, sem marcas de garras e de dentes no ventre e nas coxas. Talvez as famílias possam gozar aquele paulistano prazer de pedir uma pizza e bater papo durante o Fantástico. Talvez o assunto possa ser ameno e a conversa alegre. Talvez se possa achar que, pelo menos aos poucos, tudo se vá acomodando miraculosamente e andar pelas ruas de São Paulo seja de novo possível e desejável. Talvez roubar e matar não tenha sido o exercício deste domingo. Talvez todos os revólveres tenham sido jogados no Pinheiros e no Tietê. Talvez as vans tenham redescoberto sua vocação e servido como meios de transporte hoje. Talvez não haja nenhum avô, nenhuma avó, nenhum pai, mãe, irmão, irmã, marido, esposa, namorado ou namorada chorando agora em São Paulo. Talvez hoje seja o primeiro dia de uma série de semanas, meses e anos no fim dos quais, se quisermos chorar, precisaremos voltar a ver os filmes de Hollywood. Talvez. Oxalá.
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