sexta-feira, 12 de julho de 2013
Talvez literatura
O que tenho escrito recentemente até poderia, não pela qualidade certamente, estar catalogado em literatura, desde que eu lhe juntasse um adjetivo: médica. Se algum interesse pode haver nestas anotações, será o da análise de uma mente afetada por várias causas, passíveis talvez de análise por estudiosos do comportamento humano em determinadas circunstâncias. Não sei se meu estado de espírito, permanentemente nublado pela melancolia, me predispôs aos distúrbios de que padeço ou se estes, agindo independentemente, concorreram para agravar o que estava latente, já, em mim. Ignoro se o afeto que me pôs febril e me debilitou talvez de forma irrevogável foi uma distorção criada pela exacerbação romântica que injetei em minhas veias na adolescência, ou se esse afeto - que designo aqui em sua forma atenuada, para não falar em amor, paixão ou insanidade - encontrou em minhas leituras antigas o campo propício para se arraigar. Tudo indica que tenha havido uma interação. Eu me alongaria um pouco mais nisto se dispusesse de alguma base ou ao menos de alguma intuição científica e, principalmente, se quisesse curar-me. Como não é o caso, aproveito-me dessa contínua exaltação dos sentidos para dar algum significado e alguma cor ao que escrevo. Isso acaba me fazendo mal. Vejo-me como um oportunista, como alguém dando mescalina a um garoto para registrar suas alucinações.
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Um professor de língua portuguesa me falou que, "o artista é um espectador privilegiado, por isso sofre em ver o que os outros não percebem, e pensa: 'posso estar louco'.
ResponderExcluirO artista precisa destruir o mundo em que vive e criar outro mundo ideal, ou não, sem essa "destruição" ele não consegue criar o novo, a vanguarda.
Abraços!
Era assim que a Sylvia Platt via o mundo: algo que, quando não era "fiscalizado" por ela, tomava um rumo vulgar. Ela acreditava nessa tarefa de destruir as coisas, para recriá-las. Isso, levado muito a sério, pode acabar destruindo o próprio artista. Foi o que aconteceu com ela. Mas um artista "de verdade" deve estar pronto até para isso.
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