segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Soneto do parco aprendizado

Por mais que nos fira e doa,
Que nos maltrate e atormente,
Nós civilizadamente
Achamos que a vida é boa.

Felizes nós nos dizemos,
Repetimos, insistimos,
Nossa mentira construímos
E nessa mentira cremos.

Macaquinhos amestrados,
Assim fomos ensinados,
Já não podemos mudar.

Tantas coisas nós sabemos,
Mas ainda não aprendemos
A arte de nos enforcar.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Para petizes

Joguei no riozinho
minhas rimas em inho
e no ribeirão
minhas rimas em ão
as em inho foram para o fundinho
as em ão para o fundão.

Falsa honraria

Musa, eis uma palavra e uma condição que as mulheres já não aceitam. Estão certas. Quantos Camões, quantos Dantes, quantos Petrarcas há por aí?

Demais (para Milton Leite e Maurício Noriega)

Quando a vida chega à etapa da prorrogação e dos pênaltis, não sabemos mais o que nos move nem o que nos moveu.

Patética

Minha melancolia soa como uma sanfona dos anos 1960.

Barafunda

Um capadócio
chamado lúcio
confundia labor com ócio
iníquo com justo
e precípuo com prepúcio.

O óbvio

Morrer é simples:
é aquilo que ocorre
com quem morre.