terça-feira, 20 de agosto de 2019

Soneto dos dedos enganadores

Senhora dos sonhos meus,
Se tens tempo de me ouvir,
Ouve o que te vou pedir:
Castiga esses dedos teus.

As noites em que eles têm
Mil coisas me prometido
Sem terem uma cumprido
São, senhora, mais de cem.

Ontem mesmo eles pegaram
Meus dedos e os apertaram,
Cobrando-lhes submissão.

Porém, quando os meus cederam,
Logo os teus se afastaram,
Rejeitando minha mão.

Soneto da falsa poesia

Se te lembrares um dia
Dos versos que eu te ofertava
E que tolamente achava
Serem profunda poesia,

Tu poderás finalmente -
Sem meus amuos temer
Nem minhas queixas sofrer -
Rir escancaradamente.

Que não te constranja rir.
Não precisarás fingir
Nem precisarás dizer

Que era o Vinicius que amavas
E o Chico que idolatravas
Antes de me conhecer.

Cidade maravilhosa

Sob os olhos do Cristo, com balas perdidas no lombo, agonizando na Maré e no Jacarezinho, o Rio  de Janeiro continua indo.

Praga

As batatas ao vencedor
e o veneno adicionado
a elas pelo nosso rancor.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Jorros

Carlos Zéfiro era um sentimental. Em seus catecismos, choravam não só os olhos dos amantes, mas também as espadas gotejantes.

Errata

Não, quem escreveu As viagens de Guliver não foi Swift Armour.

Questão de gênero

Que curioso foi aquele fantasma francês de bigode que chegou dizendo-me ser Madame Bovary.