Quem passou pelo mundo em branca nuvem,
quem passou por São Paulo e não choveu,
não sabe por que veio aqui ao mundo
nem a oportunidade que perdeu.
Quem passou pelo mundo em branca nuvem,
quem passou por São Paulo e não choveu,
não sabe por que veio aqui ao mundo
nem a oportunidade que perdeu.
Apareceu algures, no mês passado, um adjetivo tão insólito que um filólogo, resolvendo estudá-lo, descobriu que na penúltima vez em que tinha sido usado fora num trabalho escolar de Rui Barbosa.
Com uma centena de ilustríssimos convidados, o concretista Petrus Solydos assentou este sábado na Vila Madalena a pedra fundamental de seu mais recente livro.
Era um poeta desses casmurros, premeditadamente áridos, cujo único lirismo estava em sua gravata borboleta.
Hoje o velho poeta conseguiu dormir um pouco mais; Os domingos parecem dispostos a cumprir o acordo. O de hoje amanheceu com uma chuva ríspida que até as nove manteve as ruas que levam à praia livres dos turistas e de suas exultações clamorosas.
Acho que caí no golpe da viagem -
preenchi as vias
tomei as vacinas
fiz a mala
paguei a passagem
o primeiro a chegar ao cais fui eu
Éramos tantos
todos se foram
restei só eu
Se pergunto o que aconteceu
o inspetor quer saber
se conheço kafka
e diz hoje que o navio teve um problema
e amanhã que o capitão morreu.
No dia em que vieres me buscar, eu te peço, chama-me forte. Sabes como sou tolo, como sou surdo, como sempre fui indigno de ter meu nome pronunciado por ti.
Além de versejar bem
e respirar com dificuldade
o poeta romântico devia também
por uma das normas gerais
no quesito idade
morrer tão cedo
quanto álvares de azevedo
ou ainda mais.
Quem mais perdeu com o advento do concretismo foi a categoria dos declamadores. Salvaram-se poucos, requisitados pelos bingos suburbanos.
No saguão do seu prédio, o poeta concretista afixou todas as suas licenças poéticas.