domingo, 3 de abril de 2011

Nunca mais

Não mais terão no futuro
Aquilo que desdenharam.
O fruto esteve maduro
E os dois nem sequer o olharam.

sábado, 2 de abril de 2011

Lembranças

Lembranças fortes ou fracas,
De grande ou pequeno apreço,
Nos ferem todas qual facas,
Nos cobram todas seu preço.

Sem problema

Jurou amor, não cumpriu,
Mas vive bem. Não sofreu,
Não se matou, não morreu.
Jurando amor prosseguiu.

O momento

Quando ela passou a língua nos lábios e olhou sonhadoramente para cima, doces palavras foram se juntando, inquietas, na sua garganta. E quando, alguns segundos depois, ela suspirou longamente e olhou de novo para cima, o amor adiantou-se a todas as outras palavras, pressentindo que havia chegado seu momento.

Extemporâneo

Amor, por onde tu andaste?
Amor, fugiste demais.
Tão tarde, amor, tu chegaste,
Tão cedo, amor, tu te vais.

Caderno

Existe ainda o caderno
E em suas folhas estão
As juras de amor eterno,
Fugazes como o verão.

Chuva

Morto, ainda assim o amor se mostra em sua beleza. No rosto dela, por exemplo, quando certas lembranças a afligem e os olhos verdes aos poucos vão ganhando um tom azulado, escuro, nublado, e se põem a chover mansamente.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Rugas

Eu te olharei docemente,
Não sei se tu me olharás.
Eu te olharei novamente,
Não sei se me notarás.

Olhando ou não, certamente
(Pois tudo o tempo desfaz
Com sua borracha inclemente)
Não me reconhecerás.

Suplício

Só para nos tripudiar,
Nos traz a memória agora
Somente os frutos que outrora
Nós não pudemos provar.

Restituição

Tardou, mas o amor morreu.
No outono foi sepultado,
No inverno foi olvidado,
Meu dono outra vez sou eu.