Amor, querido pilantra,
Teu assobio é canção,
Teus acres termos meu mantra,
Teu rude beijo meu pão.
domingo, 2 de novembro de 2014
Encontro
Se fosse ali pela João Mendes, talvez você topasse ir ao primeiro andar do sebo do Messias, e eu compraria para você uma das revistas Krypta que a assustavam na infância, e tentaria resgatar um dos seus arrepios fazendo uma careta, embora esta fosse totalmente dispensável.
Oxalá
Tempo virá em que todo poeta, mesmo aquele que tenha escrito só uma quadrinha ou um soneto estropiado, casará com uma rainha. E haverá mais rainhas do que pitangas nas pitangueiras.
Quarentena
As autoridades sanitárias isolaram a casa do homem que morreu por amor. A família recorreu, mas seus 217 sonetos o acusaram com veemência.
Ternuras da alma
São inesgotáveis as ternuras da alma. Quando já parecem extintas, se o amor as espreme escorre ainda alguma e fica suspensa na blusa, enquanto não a sopra o vento.
"Alguns gostam de poesia", de Wislawa Szymborska
"Alguns -
ou seja nem todos.
Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Sem contar a escola onde é obrigatório
e os próprios poetas
seriam talvez uns dois em mil.
Gostam -
mas também se gosta de canja de galinha,
gosta-se de galanteios e da cor azul,
gosta-se de um xale velho,
gosta-se de fazer o que se tem vontade
gosta-se de afagar um cão.
De poesia -
mas o que é isso, poesia.
Muita resposta vaga
já foi dada a essa pergunta.
Pois eu não sei e não sei e me agarro a isso
como a uma tábua de salvação."
(Do livro Poemas de Wislawa Szymborska, tradução de Regina Przybycien, publicado pela Companhia das Letras.)
ou seja nem todos.
Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Sem contar a escola onde é obrigatório
e os próprios poetas
seriam talvez uns dois em mil.
Gostam -
mas também se gosta de canja de galinha,
gosta-se de galanteios e da cor azul,
gosta-se de um xale velho,
gosta-se de fazer o que se tem vontade
gosta-se de afagar um cão.
De poesia -
mas o que é isso, poesia.
Muita resposta vaga
já foi dada a essa pergunta.
Pois eu não sei e não sei e me agarro a isso
como a uma tábua de salvação."
(Do livro Poemas de Wislawa Szymborska, tradução de Regina Przybycien, publicado pela Companhia das Letras.)
sábado, 1 de novembro de 2014
Intruso
O cara metido a poeta é aquele chato que se imiscui na conversa dos outro, no tweeter, e fica falando de espécies extintas: rosas, pássaros, amor.
Visita
Chegaste ontem, minha cara,
Tu e tua juventude.
Bateste, e eu abrir não pude:
O inverno já me levara.
Tu e tua juventude.
Bateste, e eu abrir não pude:
O inverno já me levara.
Ser
Excluindo-se a fúria e o som,
Pode haver algum sentido,
Talvez até algum bom.
Pode haver, mas eu duvido.
Pode haver algum sentido,
Talvez até algum bom.
Pode haver, mas eu duvido.
Odalisca
Enquanto ela ainda ensaiava
Tirar o primeiro véu,
Já o sultão estrebuchava
No quadragésimo céu.
Tirar o primeiro véu,
Já o sultão estrebuchava
No quadragésimo céu.
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