"Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Boto ele na cadeia."
sexta-feira, 2 de junho de 2017
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Tantinho a mais (para Inês Pedrosa)
Se fosses duas, Inês,
Seria bem adequado,
Porém bem mais apropriado
Se tu fosses logo três.
Seria bem adequado,
Porém bem mais apropriado
Se tu fosses logo três.
Manifesto (para Inês Pedrosa)
Poetas gongóricos
vates pletóricos
bardos retóricos
panfletários de ocasião
deixai-me com minhas rosas
enquanto fazeis revolução.
vates pletóricos
bardos retóricos
panfletários de ocasião
deixai-me com minhas rosas
enquanto fazeis revolução.
Futuro
Se me couber ainda um poema
quem sabe dois ou dez
que diferença fará
se nunca fez
chover uma
ou uma centena de vezes
sobre um solo
que a chuva nenhuma
nunca deu certeza alguma?
quem sabe dois ou dez
que diferença fará
se nunca fez
chover uma
ou uma centena de vezes
sobre um solo
que a chuva nenhuma
nunca deu certeza alguma?
Íntimos
Tão camaradas andamos a tristeza e eu que ela, já de manhã, quando desperto, traz o lenço certo para as lágrimas do meu dia.
Nas entranhas da sombra
Venho me enganando com frases curtas de contestável brilho. Tomei este atalho imaginando recuperar logo o fôlego e voltar à estrada principal,. Foi há muito tempo, já. Tanto que, se pensasse ainda em retomar o caminho da literatura, precisaria antes localizar o sol.
Esperança
Depois de passar o inverno dentro de um romance de Machado de Assis, a traça, atacada por uma agudíssima melancolia, conseguiu chegar à ensolarada parte da estante reservada aos livros de autoajuda.
"Beleza e verdade", de Emily Dickinson, tradução de Manuel Bandeira
"Morri pela beleza, mas apenas estava
Acomodada em meu túmulo,
Alguém que morrera pela verdade
Era depositado no carneiro contíguo.
Perguntou-me baixinho o que me matara:
- A beleza, respondi.
- A mim, a verdade -é a mesma coisa,
Somos irmãos.
E assim, como parentes que uma noite se encontram,
Conversamos de jazigo a jazigo,
Até que o musgo alcançou os nossos lábios
E cobriu os nossos nomes."
Acomodada em meu túmulo,
Alguém que morrera pela verdade
Era depositado no carneiro contíguo.
Perguntou-me baixinho o que me matara:
- A beleza, respondi.
- A mim, a verdade -é a mesma coisa,
Somos irmãos.
E assim, como parentes que uma noite se encontram,
Conversamos de jazigo a jazigo,
Até que o musgo alcançou os nossos lábios
E cobriu os nossos nomes."
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