segunda-feira, 2 de julho de 2018

Um trecho de "A canção de amor de J. Alfred Prufrock", de T.S. Eliot

"E, é verdade, haverá tempo
Para o fumo que resvala nas calçadas
Esfregando o próprio dorso nas vidraças;
Haverá tempo, haverá tempo,
Para ter uma cara pronta para acenar para as velhas caras;
Haverá tempo para assassínio e criação,
Para todos os trabalhos e os dias de mãos
Que elevam e pingam uma questão no prato;
Tempo para você e tempo para mim,
E ainda tempo para mil indecisões,
E para mil visões e revisões,
Antes de vir o chá e seus afins."
Tradução de Lawrence Flores Pereira, Iluminuras.)

domingo, 1 de julho de 2018

Aleluia

Se, como um dia você pensou,
escrever era tudo,
hoje tudo acabou.

Caráter

Ela era cínica, sempre foi. Se eu lhe tivesse perguntado, ela provavelmente compararia meus sonetos aos de Camões.

Hipótese

Dou graças por viver.
Se eu estivesse morto,
quem de meu gato cuidaria
e de minha melancolia?

Características

Com esse seu dúbio sentido
esdrúxulo artigo é o amor:
o consumidor é o consumido.

Como é

Na velhice não há o que não doa.
A velhice funciona assim:
Se você tem duas costelas -
uma boa e uma ruim-
dói a ruim e dói a boa.

Opção

Antes a omissão  que o fato:
é melhor te ignorarem
que te chamarem de literato.

Carapuça

Seja ele ou não o culpado,
não hesite: acuse o amor.
Ele já está acostumado.

Indicação

Para quem quer chegar ao hospício
a literatura pode não ser o melhor
mas será sempre um ótimo início.

Hoje na revista Rubem

Falo de um defunto em fase de provas e vestibular.

https://rubem.wordpress.com/2018/07/01/moribundo-sem-tempo-e-outras-ocorrencias-raul-drewnick/