terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lírica (569) - Para ti

Instruí minha boca a dizer as palavras certas, de tal forma que sempre saibas facilmente quando eu estiver falando para ti, embora falar para ti seja agora a agradável atribuição de todas as sílabas que diz minha voz.

Lírica (568) - Termômetro

A testa ardia. Falara
Com ela e subitamente
Seu corpo ficara quente
Como a areia do Saara.

Lírica (567) - Aquele

Já sabe que quando dele
No futuro alguém falar,
Ela dirá: "Sei, é aquele...",
Mas custará a lembrar.

Lírica (566) - Adiantou?

Você quis que fosse lindo,
Você quis que fosse terno,
Você quis que fosse infindo,
Você quis que fosse eterno.

Agora, que já morreu,
E só lhe resta sofrer,
Agora, pergunto-lhe eu:
Adiantou você querer?

Lírica (565) - Borocoxô

Dói-lhe o fígado, e o rim,
Onde apalpa sente dor,
Morto está, mas mesmo assim
Insiste em falar de amor.

Lírica (564) - Simples assim

Se não faltasse a coragem
Diria (porém é fraco)
Que ter afeto é bobagem
E que o amor só enche o saco.

Sertãozinho

Dia 2, quinta-feira, participarei de um bate-papo com leitores às 15 horas, em Sertãozinho, para falar de amor: amor à vida, amor à leitura, amor aos livros, amor à literatura.

Lírica (563) - Farol

Ficaria feliz se pudesse viver num daqueles faróis marítimos onde cabe só uma pessoa e aonde nenhuma onda levaria qualquer garrafa com mensagens amorosas, mesmo que o pedido viesse da mais encantadora das princesas da Terra.

Lírica (562) - Incompreendido

Era tão inacreditavelmente bobo que começaram a ver astúcia onde havia ingenuidade, e suas flores passaram a ser recusadas, como se delas se exalasse um aroma mortal.

Lírica (561) - Mamãe

Soube que não servia mesmo para viver quando já velho, muito velho, sentia uma falta imensa, depois de qualquer infortúnio, de se atirar nos braços da mãe, morta fazia quatro décadas.