Qual brisa tu me chegaste,
Alegre e morna monção,
E meu barco bafejaste
Com o hálito do verão.
E, brisa, foste canção,
E com teus sons me embalaste
E foste consolação
E, sendo, me consolaste.
Como fui feliz então.
Mas logo te transformaste
De vento brando em tufão
E minhas velas quebraste
E sem comiseração
Meu barco despedaçaste.
sábado, 2 de julho de 2011
Veneno
Tu sabes bem que me odeias
Quando, com tuas mãos falsas,
Veneno pões e disfarças,
Dizendo que amor semeias.
Quando, com tuas mãos falsas,
Veneno pões e disfarças,
Dizendo que amor semeias.
Lógica
Este amor que hoje nos dá
De frutos plena fartura
É o que amanhã nos dará
As flores e a sepultura.
De frutos plena fartura
É o que amanhã nos dará
As flores e a sepultura.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Os que
Que sejam sempre malditos
Os que do amor desfizeram
E aqueles todos que deram
Os ditos como não ditos.
Os que aprenderam os ritos
E que fiéis se disseram
E logo após já não eram
E escarneceram dos mitos.
E malditos os que juram
E no fim sempre perjuram
Porque lhes apraz negar.
E os que maltratam e ferem
Porque do amor o que querem
É o prazer de desamar.
Os que do amor desfizeram
E aqueles todos que deram
Os ditos como não ditos.
Os que aprenderam os ritos
E que fiéis se disseram
E logo após já não eram
E escarneceram dos mitos.
E malditos os que juram
E no fim sempre perjuram
Porque lhes apraz negar.
E os que maltratam e ferem
Porque do amor o que querem
É o prazer de desamar.
Jardim
Sumiram as esperanças.
Levou-as hoje o aguaceiro
E em seu lugar, no canteiro,
Resistem só as lembranças.
Levou-as hoje o aguaceiro
E em seu lugar, no canteiro,
Resistem só as lembranças.
Aviso
Quando o sol começa a se cansar, a árvore avisa aos passarinhos principiantes e ao verde de suas folhas que é hora de se prepararem para a noite.
Natureza-morta
Os dois meninos têm cinco anos. O filho da dona da casa nunca olha para as frutas na tela. O da empregada, triste e raquítico, quando a mãe o leva para o trabalho as reverencia com um olhar que ao pintor decerto agradaria ver.
Cupido
Gostaram do Amor, gracioso com seu arco e suas setas, e ora um, ora o outro, tinham-no sempre nas mãos ou no colo. E o afagavam, e o aqueciam, como se fosse um passarinho jovem. Mas logo o hábito impôs sua monotonia e hoje quem quiser ver o Amor precisará procurá-lo na sala, cercado de bibelôs: um moinho de pás azuis, uma bailarina gasta pelo tempo, um cachorro de olhar filosófico.
Um pouco mais
Quando quiseres saber
Se mais do que o dia inteiro
Choro ainda por te perder,
Pergunta ao meu travesseiro.
Se mais do que o dia inteiro
Choro ainda por te perder,
Pergunta ao meu travesseiro.
Falsos, hipócritas, perversos
Difícil é imaginar
Que um dia foram amantes,
Que aspiraram o mesmo ar
E se entregaram arfantes.
Bem antes de o amor murchar
Viviam-no já hesitantes
E punham-se a desejar
Que se acabasse o quanto antes.
Fingiram, sim, todo o tempo -
Ele com seus falsos versos,
Ela com ardis diversos -
E ao primeiro contratempo
O amor na cova enterraram
Como sempre planejaram.
Que um dia foram amantes,
Que aspiraram o mesmo ar
E se entregaram arfantes.
Bem antes de o amor murchar
Viviam-no já hesitantes
E punham-se a desejar
Que se acabasse o quanto antes.
Fingiram, sim, todo o tempo -
Ele com seus falsos versos,
Ela com ardis diversos -
E ao primeiro contratempo
O amor na cova enterraram
Como sempre planejaram.
Assinar:
Postagens (Atom)
