sábado, 1 de fevereiro de 2014
Kama Sutra - DCXLV
Nem nós sabemos o que tanto nossas línguas têm a dizer quando se tocam com a ponta gotejante de saliva. Certo é que não trocam uma palavra, mas bicam-se como famintos passarinhos.
Musas
Pobres musas, jamais lhes é dado escolher. E como costumam ser bizarramente feios os poetas...
Fernanda Lima
Diante de Fernanda Lima, todas as outras belezas não são mais do que ecos, damas da corte em volta de sua alteza.
Quando você
Quando você começa a imaginar
que os estampidos
de certa mulher
podem ser mais suaves
que os gorjeios de uma ave
cuidado!
Ou você está mal de ouvido
ou você está apaixonado.
que os estampidos
de certa mulher
podem ser mais suaves
que os gorjeios de uma ave
cuidado!
Ou você está mal de ouvido
ou você está apaixonado.
De sóis
O sol nascente
é uma alegria
o sol-posto
uma alegoria
A alegria é falsa
é perfeita a alegoria.
é uma alegria
o sol-posto
uma alegoria
A alegria é falsa
é perfeita a alegoria.
Jean-Paul e Simone
Dá bem para imaginar
O que o Sartre nela via,
Mas o que nele veria
A Simone de Beauvoir?
O que o Sartre nela via,
Mas o que nele veria
A Simone de Beauvoir?
Joan e Eduardo
Ao saber que vinha aqui,
A divina Joan Baez
Só uma pergunta fez:
"Lá que mora o Suplicy?"
A divina Joan Baez
Só uma pergunta fez:
"Lá que mora o Suplicy?"
Inter urinam
Entre urina e fezes nascemos
olhamos para o céu algumas vezes
e entre urina e fezes morremos.
olhamos para o céu algumas vezes
e entre urina e fezes morremos.
Um trecho de José Saramago
"(...) aberta foi a porta deste quarto, em silêncio, fechada está, um vulto atravessa tenteando, para à beira da cama, a mão de Ricardo Reis avança e encontra uma mão gelada, puxou-a, Lídia treme, só sabe dizer, Tenho frio, e ele cala-se, está a pensar se deve ou não beijá-la na boca, que triste pensamento."
(Do romance O ano da morte de Ricardo Reis, publicação da Editorial Caminho.)
(Do romance O ano da morte de Ricardo Reis, publicação da Editorial Caminho.)
Assinar:
Postagens (Atom)
