quinta-feira, 2 de junho de 2016
Mario Quintana
Os prodígios de Mario Quintana tiveram sempre a marca da simplicidade. Se comparados aos fenômenos naturais, pode-se dizer que ele não relampejava nem trovejava. Contentava-se em chover, em chuviscar.
Diagnóstico
Que nota vocês dariam à felicidade de um homem que quando não está cochilando está pensando em dormir?
Ali
Ele sorri quando lembra como ela, tentando parecer enérgica, dizia que aquilo era proibido, uma safadeza, que ele não se atrevesse a continuar, mas ficava só nas palavras, que iam perdendo a aspereza, transformando-se em murmúrios que soavam cada vez mais como uma permissão para que ele persistisse em beijá-la ao redor do umbigo, fazendo-a contorcer-se de gozo e cócegas.
"Arca da lembrança", de Mariana Ianelli
"Um sol de opala se uma tarde é pasto da memória,
Uma luz de chá dourando o canto cego de uma sala
E sobre a mesa o espelho d'água
A ocasião do ato secreto
De repovoar veredas, antros, mirantes do passado,
Saudade que vai juncando de ramos, conchas e corais
Todo o imenso dorso de um barco naufragado."
(De O amor e depois, edição da Iluminuras.)
Uma luz de chá dourando o canto cego de uma sala
E sobre a mesa o espelho d'água
A ocasião do ato secreto
De repovoar veredas, antros, mirantes do passado,
Saudade que vai juncando de ramos, conchas e corais
Todo o imenso dorso de um barco naufragado."
(De O amor e depois, edição da Iluminuras.)
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Mario Quintana
Uma tarde, Mario Quintana parou numa esquina e ficou olhando para o céu. Durava já alguns minutos a contemplação quando as pessoas viram o que ele via: um arco-íris saudando um poeta.
Mario Quintana
Um bando de andorinhas brigava para chamar a atenção de Mario Quintana. Uma senhora elegante, em cuja sombrinha o sol se espreguiçava, comentou: "Assanhadas!"
Conduta
No amor
o primeiro passo
é essencial
e os posteriores também
Não os dê nunca
e seja feliz
amém.
o primeiro passo
é essencial
e os posteriores também
Não os dê nunca
e seja feliz
amém.
"Sem-utopias", de Lourença Lou
"quando me vires passando
pelo tempo dos ventos
e vires reverberando em mim
o aflorar da primavera
não atravesse a rua
não te prometo calmarias
nem que passarás incólume
pelo brilho das estrelas
que carrego comigo
mas te ajudo a transbordar os dias
com a plenitude da vida que
ronda e espreita estes versos."
(De Equilibrista, publicação da Editora Penalux.)
pelo tempo dos ventos
e vires reverberando em mim
o aflorar da primavera
não atravesse a rua
não te prometo calmarias
nem que passarás incólume
pelo brilho das estrelas
que carrego comigo
mas te ajudo a transbordar os dias
com a plenitude da vida que
ronda e espreita estes versos."
(De Equilibrista, publicação da Editora Penalux.)
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