"Eu, o poeta William Yeats,
Com velhas tábuas de moinho e lousas verde-mar,
E ferro forjado na forja de Gort,
Restaurei esta torre para a minha esposa George;
Possam estes sinais permanecer
Quando tudo for ruínas outra vez."
(De Uma antologia, tradução de José Agostinho Baptista, edição da Assírio & Alvim, Lisboa.)
sábado, 4 de junho de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Por aí
Pelo andar da carruagem, devo estar em Estocolmo por volta de 2059, se ainda houver Suécia e Prêmio Nobel.
Presunção
Um blog dá, a quem o escreve, a impressão de que, se não se colocar diariamente nele ao menos um texto, alguém sentirá falta.
O básico
A ideia que eu tenho de um lar é um gato cochilando no sofá. Todo o restante pode ser como for.
Doze versos de Margaret Atwood
"A ninguém importa quem ganha as guerras.
Importa no momento:
gostam das paradas, dos vivas;
mas depois a vitória perde a importância.
Uma taça de prata sobre a lareira
gravada com um ano ou outro;
uma horda de botões cortados de cadáveres
como suvenires, algo vergonhoso
que você fez com intensa raiva oculta
da vista dos outros.
Sonhos ruins, um pouco de pilhagem.
Não há muito o que dizer a respeito."
(Do livro A porta, tradução de Adriana Lisboa, publicação da Rocco.)
Importa no momento:
gostam das paradas, dos vivas;
mas depois a vitória perde a importância.
Uma taça de prata sobre a lareira
gravada com um ano ou outro;
uma horda de botões cortados de cadáveres
como suvenires, algo vergonhoso
que você fez com intensa raiva oculta
da vista dos outros.
Sonhos ruins, um pouco de pilhagem.
Não há muito o que dizer a respeito."
(Do livro A porta, tradução de Adriana Lisboa, publicação da Rocco.)
00h23
Cochilei de novo debruçado sobre a mesa e só agora vou fechar a loja. Foi mais um dia sem visitante nenhum. À tarde passou por aqui um fiscal da prefeitura que olhou para os livros, os discos, as fotos, as folhas com versos rabiscados (essa dispersão que poderia ser uma metáfora do caos) e me perguntou o que eu pretendia com isso tudo. Eu lhe disse que, apesar do desalinho, a loja é na verdade uma exposição e que eu a venho mantendo na esperança de um dia ver entrar nela alguém, aquele ser único que a inspirou e tem relação com todos esses objetos. Ele entendeu que eu aguardava uma mulher tola o suficiente para adquirir a disparatada coleção. Quando eu informei que nenhum dos objetos está à venda, ele balançou a cabeça: "Que estranho, isso. O senhor é poeta?" Respondi que não, sentindo toda a tristeza por ter lidado tanto e tão intensamente com o amor sem haver aprendido a exprimi-lo em versos ao menos aceitáveis. Todas as outras reminiscências imagino também que nada valham e provocariam risos naquela pessoa única e especial, se um dia ela entrasse aqui.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Paraíso
Não apreciaria morrer agora. Gosta das prerrogativas de doente, dos agrados que elas lhe valem e dos remédios que lhe dão na boca, antes da colherada de mel.
Ferro em brasa
O amor nos escolhe
com carinho e cuidado
Somos o seu gado
o seu ouro
o nome
e o renome
do seu matadouro.
com carinho e cuidado
Somos o seu gado
o seu ouro
o nome
e o renome
do seu matadouro.
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