Que à minha rosa tardia
Seja benévolo o vento,
Que a terra lhe dê sustento
E o amor lhe ensine a magia.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Conversa
Dirão de mim coisas belas
E também coisas bem más.
Destas não sei, mas daquelas
Apenas tu saberás.
E também coisas bem más.
Destas não sei, mas daquelas
Apenas tu saberás.
Marcadores:
Literatura
Ponteiros
É tarde, já. Se chegares,
Quem diz que as mãos se darão,
Que os lábios se entenderão
E se olharão os olhares?
Quem diz que as mãos se darão,
Que os lábios se entenderão
E se olharão os olhares?
Marcadores:
Literatura
SOS azul
Azul, azul, onde estás?
Cavei no peito um lugar
Para o fragor do teu mar,
Azul, não me afogarás?
Cansei da vida, da paz,
Quero morrer, me asfixiar,
Azul, vem, vem me tragar,
Azul, me diz, tardarás?
Cavei no peito um lugar
Para o fragor do teu mar,
Azul, não me afogarás?
Cansei da vida, da paz,
Quero morrer, me asfixiar,
Azul, vem, vem me tragar,
Azul, me diz, tardarás?
Marcadores:
Literatura
Vida
Quando digo que mais nada
Na vida agora me importa
A tradução adequada
É: minha vida está morta.
Na vida agora me importa
A tradução adequada
É: minha vida está morta.
Marcadores:
Literatura
Enfermaria
Não preciso
das manhãs de hoje
Bastam-me as de outrora
que fulgem ainda
com seu sol esparramando-se
espalhafatosamente
por todos os quarteirões
por onde menino
andei e desandei
Basta-me aquele cheiro
de terra
de seiva vigorosa
de sêmen da natureza
aquele desfalecimento
de rosa embriagada
putona enrustida
abrindo-se afinal toda
ao zumbido
das abelhas cobiçosas
Basta-me aquilo
que eu sentia
aquilo que eu
por uma precoce sabedoria
sabia que precisava reter
na pele
nas narinas
na boca
para quando tudo
não pudesse ser
senão lembrança
como agora é
Aqui onde tudo
é sempre noite
e conversas murmuradas
e injeções
e soros
e comprimidos
e Deus é citado
como santo remédio
basta-me isto
este sopro de uma brisa antiga
este sussurro de uma primavera
que já amareleceu
cinquenta anos
nas páginas dos jornais
e nas fotos dos álbuns
de uma primavera
em que um corpo
que era este e já não é
tinha a presunção de julgar
as manhãs feitas para ele
e gabar-se
de ter cinco sentidos
das manhãs de hoje
Bastam-me as de outrora
que fulgem ainda
com seu sol esparramando-se
espalhafatosamente
por todos os quarteirões
por onde menino
andei e desandei
Basta-me aquele cheiro
de terra
de seiva vigorosa
de sêmen da natureza
aquele desfalecimento
de rosa embriagada
putona enrustida
abrindo-se afinal toda
ao zumbido
das abelhas cobiçosas
Basta-me aquilo
que eu sentia
aquilo que eu
por uma precoce sabedoria
sabia que precisava reter
na pele
nas narinas
na boca
para quando tudo
não pudesse ser
senão lembrança
como agora é
Aqui onde tudo
é sempre noite
e conversas murmuradas
e injeções
e soros
e comprimidos
e Deus é citado
como santo remédio
basta-me isto
este sopro de uma brisa antiga
este sussurro de uma primavera
que já amareleceu
cinquenta anos
nas páginas dos jornais
e nas fotos dos álbuns
de uma primavera
em que um corpo
que era este e já não é
tinha a presunção de julgar
as manhãs feitas para ele
e gabar-se
de ter cinco sentidos
Marcadores:
Literatura
domingo, 30 de janeiro de 2011
Paisagem
Pensei muito
no que poderia haver
de mais terno
entre nós
e imaginei
uma chuva lenta e morna
que nos surpreendesse
uma tarde
num parque
e fosse tão lenta
e tão morna
que não nos fizesse
correr como os outros
e nos conduzisse
em passos morosos
para lugar nenhum
onde haveria um
caminho para
outro lugar nenhum
e outro e outro
para os quais caminharíamos
sob a chuva
lenta e morna
e não precisaríamos
nos dizer nada
e nos entenderíamos
como só um homem
e uma mulher
tocados pelo amor
podem se entender
uma tarde
num parque
sob uma chuva
lenta e morna
caminhando não
para um arco-íris
mas para a simpática
mesinha de um café
no que poderia haver
de mais terno
entre nós
e imaginei
uma chuva lenta e morna
que nos surpreendesse
uma tarde
num parque
e fosse tão lenta
e tão morna
que não nos fizesse
correr como os outros
e nos conduzisse
em passos morosos
para lugar nenhum
onde haveria um
caminho para
outro lugar nenhum
e outro e outro
para os quais caminharíamos
sob a chuva
lenta e morna
e não precisaríamos
nos dizer nada
e nos entenderíamos
como só um homem
e uma mulher
tocados pelo amor
podem se entender
uma tarde
num parque
sob uma chuva
lenta e morna
caminhando não
para um arco-íris
mas para a simpática
mesinha de um café
Duas palavras
Do sonho que desfrutaram
E que julgaram infindo
No fim de tudo restaram
Duas palavras: foi lindo.
E que julgaram infindo
No fim de tudo restaram
Duas palavras: foi lindo.
O sonho
Tu vais para
o último dos quartos
o mais remoto
e te armas
de cortinas espessas
vedas as frestas
e achas que poderás
ficar ali para sempre
na eterna noite
que teu coração pediu
Tudo vai bem
Fechas os olhos
abres os olhos
e tudo é sempre noite
treva sempre e silêncio
como querias
Aboliste o sol
suprimiste o dia
e vives assim
na benfazeja escuridão
semanas ou
meses talvez
Mas chega um momento
quando já te achavas
consolidado
na perenidade da noite
um traiçoeiro momento
em que sonhas
E sonhas
com um dia
de primavera
em que os passarinhos cantam
e um deles traz
no bico
um raio de sol
e te diz haver nele
um recado do amor
para ti
o último dos quartos
o mais remoto
e te armas
de cortinas espessas
vedas as frestas
e achas que poderás
ficar ali para sempre
na eterna noite
que teu coração pediu
Tudo vai bem
Fechas os olhos
abres os olhos
e tudo é sempre noite
treva sempre e silêncio
como querias
Aboliste o sol
suprimiste o dia
e vives assim
na benfazeja escuridão
semanas ou
meses talvez
Mas chega um momento
quando já te achavas
consolidado
na perenidade da noite
um traiçoeiro momento
em que sonhas
E sonhas
com um dia
de primavera
em que os passarinhos cantam
e um deles traz
no bico
um raio de sol
e te diz haver nele
um recado do amor
para ti
Assinar:
Postagens (Atom)
