"depois de vinte anos
mostraram-me a urna
em que tinham guardado seus restos mortais
alguns ossos brancos:
os fêmures o ilíaco as vértebras e falanges
Era tudo
- Não pode ser.
- Como não pode ser?
- Esqueça - disse eu.
Estava no cemitério de São João Batista, em Botafogo.
Olhei para o alto onde zunia a luz do século XXI.
Vi que de fato
ele não estava ali:
eu o carregava comigo
leve impalpável
como o doído amor."
(Do livro Poesia, publicado pela Companhia das Letras.)
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