segunda-feira, 12 de maio de 2014

"Morte & Cia.", poema de Sylvia Plath

"Dois, com certeza são dois.
Me parece muito natural agora -
O que nunca olha pra cima, olhos selados
Em globos, como os de Blake,
Exibindo

A marca de nascença como marca registrada -
Queimaduras d'água, a cicatriz,
A verde-gris
Nudez do condor. Sou carne crua.
Seu bico

Me retalha: ainda não sou sua.
Ele diz que fotografo muito mal.
Me diz como são doces
Os bebês na geladeira
Do hospital, só uns

Babados no pescoço,
Os detalhes dos seus véus
Funerários
E dos pezinhos.
Ele não fuma nem sorri.

O outro sim,
Cabelos longos e atraentes,
Bastardo
Masturbando um brilho,
Só pensando em ser amado.

Nem me mexo.
Do frio se faz uma flor.
Do orvalho se faz uma estrela,
O toque de silêncio,
Silêncio.

Alguém sob medida."

(De Poemas de Sylvia Plath, tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça, publicação da Iluminuras.)

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