sexta-feira, 12 de abril de 2013

O amor já...

... está bem conhecido agora. Mal ele aparece numa esquina, as pessoas o enxotam, os cachorros o perseguem, os guardas diurnos e noturnos o escorraçam. O amor não poderia se disfarçar, ainda que quisesse. Tem um cheiro de flor envelhecida que o denuncia e um ar pálido que não o recomenda. As crianças fogem dele, dos seus olhos esbugalhados. O amor é um desses trastes urbanos que as autoridades deveriam trancafiar em completo isolamento. O amor é uma praga que já não ataca só na primavera. O amor é um estorvo, uma caçamba mal colocada, um caminhão quebrado na avenida dos Bandeirantes. O amor é uma vergonha para a rua Antônio Cantarella. O amor é um cuspe de infectado na calçada.

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