quinta-feira, 11 de abril de 2013
Gênios gorados
Nós - que nos reuníamos na década de 1960 na Mário de Andrade e nos preparávamos para criar, enfim, depois de tantos milênios, a verdadeira literatura - demos o primeiro passo no dia em que juntamos nosso dinheiro, compramos uma lata de tinta e de madrugada saímos pintando (não havia ainda a palavra pichação, nesse sentido) pelos muros próximos da biblioteca nossa indignação contra os escritores esclerosados que derrubaríamos com a nossa arte. Decretamos assim, oficialmente, a morte literária dos grandes nomes da nossa época. Houve repercussão nos jornais e, para fins menos estéticos do que promocionais, criaram-se entre nós dois movimentos, com manifesto e tudo: o simplismo e o desagregacionismo. Depois desse primeiro, faltaram os outros passos e, porque não os demos, nem sabemos hoje quantos seriam. Não mudamos a literatura e ninguém decretará nossa morte nos muros. Não teremos essa honra.
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