quinta-feira, 11 de abril de 2013

Pacaembu

Quando eu descia do bonde camarão e começava a descer as ladeiras que conduziam ao estádio, o caminho era indicado pelo cheiro das laranjas vendidas em carrocinhas dotadas de um descascador semelhante àqueles grandes apontadores de lápis que até algum tempo atrás podiam ser vistos em escolas e escritórios. Já mais perto do estádio havia vendedores de jornal - não eram os do dia, eram exemplares velhos que, segundo quem os vendia, serviam "para sentar e fazer chapéu". A primeira utilidade apregoada se devia ao fato de que o cimento da geral do Pacaembu era duro e áspero. Os jornais se usavam para improvisar uma almofada. E o chapéu que com eles se podia fazer era evidentemente uma proteção contra o sol (havia jogos que começavam às dez da manhã). O Pacaembu foi uma das grandes emoções da minha infância e adolescência.

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