quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Manual do morto-vivo

Enfurnar-me num canto, como um bicho,
Encarcerar-me como um cão raivoso,
Vedar-me como um cancro contagioso,
Enfiar-me numa lata, como um lixo.

Feder como uma fossa abarrotada
Ou como uma ferida purulenta,
Purgar como uma chaga pestilenta,
Fervilhar como bosta armazenada.

Ter toda minha carne lancetada,
Ter toda minha pele fumigada,
Ter todo interditado o coração.

E, para o mundo não contaminar,
Rezar para o coveiro me enterrar
No mais chumbado e hermético caixão.

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