quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Romantismo

Ele gostaria de ser um personagem de Dostoiévski, um poeta que morresse um mês antes de completar a pena de dez anos de trabalhos forçados na Sibéria por haver ferido um militar que, não tendo guerra na qual pudesse mostrar-se hábil, embainhara e desembainhara a espada justamente na bainha da sua amada (a do poeta). Morrer um mês antes de conquistar a liberdade seria a melhor maneira, a única, de não saber que, enquanto ele padecia os cento e dezenove meses de seu martírio, o militar, sem ter guerra nenhuma que o solicitasse, continuara a embainhar e desembainhar com destreza sua espada.

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