quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Será uma boa quarta-feira
Será uma boa quarta-feira. Quem sou eu para duvidar de tantas opiniões? Haverá sorrisos, risos, gargalhadas, muitas gargalhadas. No meio de uma delas, num restaurante da Augusta, uma senhora distinta disparará longe um pedaço de comida que outro comensal imediatamente, recolhendo-o do colo, identificará como um peixe-voador, o que desatará nova onda de hilaridade. Uma das garçonetes, a mais desastrada, aquela que troca sempre os pratos, rirá tanto que sua bandeja com bife à parmesã dará três saltos mortais antes de aterrissar no chão, compondo um belo desenho geométrico que lembrará a um frequentador uma das fases de Picasso. Na Paulista haverá um protesto antiprotesto e os pombos finalmente acertarão a mira e punirão o velhote que se recusa a dar à menina pobre um bracelete de ouro. O vento cantará uma canção obscena que somente um homem entenderá, visto ser a letra em aramaico. E esse único privilegiado rirá tanto que morrerá de rir e sua família reclamará esse privilégio numa petição ao Guinness Book. Eu estarei aqui, porque alguém deve cuidar da rara espécie da tristeza, ora em extinção.
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