quinta-feira, 11 de abril de 2013

Um trecho de John Cheever

"Nossa família sempre foi muito unida espiritualmente. Papai morreu afogado num acidente de barco quando éramos pequenos e mamãe costuma dizer que nossas relações familiares possuem um tipo de permanência que jamais voltaremos a encontrar. Embora eu não pense frequentemente na família, quando lembro dos meus parentes, da área da costa em que viviam e do sal marinho que faz parte do nosso sangue, fico feliz em saber que sou um Pommeroy - que herdei deles o nariz, a cor da pele e a promessa de longevidade. Não que sejamos uma família de estirpe, porém, quando estamos juntos, nos permitimos a ilusão de que os Pommeroy têm algo de especial. Não digo isso porque me interesse pela história da família ou por dar grande importância a essa sensação de sermos especiais, mas apenas para deixar claro que somos leais uns com os outros a despeito de nossas diferenças e que qualquer ruptura nessa lealdade constitui uma fonte de dor e confusão."

(Do conto "Adeus, meu irmão", do livro 28 contos de John Cheever, tradução de Jorio Dauster, publicado pela Companhia das Letras.)

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