quinta-feira, 11 de abril de 2013

Kama Sutra - CLIX

Ele tem catorze, como ela. A idade sexual dele é doze, a dela é dezesseis. Moram no mesmo prédio, estão na mesma classe no colégio, vão e voltam juntos no ônibus. Hoje, na ida e na volta, ela ficou mascando um chiclete e estourando bolas na cara dele. No colégio, levantou a saia e mostrou em que parte da coxa quer pôr uma tatuagem. Desceram do ônibus e estão no elevador do prédio, agora. A mulher com o cachorrinho desceu no terceiro andar. Ele e ela estão sozinhos. Vão para o décimo quinto, ele, e para o décimo sétimo, ela. Ela quase encosta os lábios nos dele e ploc, estoura mais uma bola. Com desejo e uma raiva de macho desafiado, ele a abraça, enfia-lhe a língua na boca, com ela lhe arranca o chiclete e, como se nunca tivesse feito outra coisa na vida e sempre tivesse feito isso com ela, beija-a e morde-a. Ela corresponde. Beija e morde também, aliviada. Ele foi o garoto que mais resistiu ao seu jogo. Estão se beijando ainda, no décimo quinto andar. A porta se abre, se fecha, mas as bocas só se soltam no décimo sétimo. Ela lhe dá tchau. Ele lhe devolve o chiclete, que ela imediatamente repõe na boca. Ploc. Segurando a porta do elevador, ele a vê caminhar para o apartamento. Sabe que na semana que vem entrará ali com ela. Os pais dela têm viagem marcada e ela vai aproveitar para fazer a tatuagem. O que será que ela vai pôr na coxa branquinha? É surpresa, mas ele vai ser o primeiro a ver, se quiser, ela disse no colégio. Ele desce para o décimo quinto. Na língua, um sabor de morango e de salivas trocadas. Nas mãos, uma ansiedade que por uma semana o fará sonhar com seus dedos passando por uma tatuagem e por uma pele clara, tão clara.

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